Notícias

O "Caso Dória" e a influência dos softwares no aumento de alcance nas redes

segunda-feira, 02 de outubro de 2017
Postado por Gabriela Rollemberg Advocacia

Por Camilla Veras Mota

Enquanto a disputa interna no PSDB para concorrer à Presidência em 2018 se acirra, o prefeito de São Paulo, João Doria, usa as redes sociais para pavimentar seu caminho.

O crescimento vertiginoso de sua influência digital em menos de um ano de mandato é resultado de uma estratégia que começou a ser testada ainda nas prévias do partido, se profissionalizou e hoje combina cinco softwares que usam 'big data' para fazer monitoramento e uma equipe de análise que avalia o impacto nas redes sociais de tudo o que ele, que nega ser pré-candidato, fala.

"Nossa função é alinhar o discurso do João para ele ser bem entendido. Ele não vai mudar o que pensa, as propostas, mas vai falar da melhor forma", diz Daniel Braga, que acompanha Doria desde agosto de 2015.

Em janeiro deste ano, quando o núcleo de redes sociais de sua Promove Comunicação ganhou corpo, Braga criou com outros dois sócios a Social QI, empresa independente que, apesar da pouca idade, já chegou a cuidar do marketing digital do governo Temer - parceria encerrada em julho.

A assessoria de imprensa da Prefeitura de São Paulo confirma que Doria é cliente da empresa, mas esclarece que seu vínculo é como pessoa física, e não como prefeito.

A Social QI trabalha com uma integradora que reúne "entre quatro e cinco" softwares de monitoramento, cujos nomes mantém em segredo. Em paralelo, utiliza programas como o War Room, um serviço em português criado pela startup Stilingue, que há quatro anos desenvolve a ferramenta por meio do que a ciência da computação chama de "processamento de linguagem natural".

Varrer as redes

O time de 35 desenvolvedores da Stilingue, baseado em Ouro Preto (MG), alimenta o computador com textos em português para ensiná-lo a entender e interpretar a língua, identificando padrões comuns.

A tecnologia permite o escrutínio das redes sociais - Facebook, Twitter, Instagram -, de influenciadores e de tudo o que é publicado na imprensa. Um volume exponencial de informações que dificilmente seria administrável sem a ajuda de um software, conta o presidente da empresa, Rodrigo Helcer.

Para a política, as aplicações incluem, por exemplo, a gestão de imagem - além de capturar tudo o que é escrito sobre qualquer assunto, o software também faz reconhecimento facial para identificar memes - e a psicometria.

Termo que ficou mais conhecido depois da campanha de Donald Trump à Casa Branca, a piscometria faz uma espécie de análise de personalidade dos eleitores, útil na identificação de perfis que vão muito além de direita e esquerda e, por consequência, na formulação do discurso político.

A estratégia de comunicação do republicano se baseou na chamada "análise de sentimento" das redes sociais, que deu aos marqueteiros informações que até então não haviam sido usadas em disputas eleitorais, como os medos e anseios dos americanos.

De olho

"Tudo o que o João fala é monitorado", diz Braga. A ideia é avaliar como o discurso do prefeito é recebido para "reduzir os impactos negativos e potencializar os positivos".

"Se ele fala sobre desestatização, nós checamos o que as pessoas falam sobre isso para vermos qual a melhor forma de elas absorverem (o discurso no futuro)". Esse é um trabalho que envolve sensibilidade política, capacidade de interpretação e planejamento estratégico, afirma ele, que conversou com a reportagem na noite desta segunda, por volta de 21h, após acompanhar agenda do prefeito paulistano em Belo Horizonte

Depois de uma temporada em Brasília, Braga voltou a cuidar pessoalmente da conta de Doria recentemente, a pedido dele. O publicitário nega que a mudança tenha relação com a disputa eleitoral de 2018 e com o fato de que o prefeito é cotado como pré-candidato à Presidência.

"Tem a ver com a ferocidade da oposição nas redes sociais", explica. "A gente tem que entregar o 'João Trabalhador' que prometeu", acrescenta, referindo-se ao slogan da campanha de Doria.

Segundo ele, entre os 114 milhões de usuários únicos do Facebook no Brasil, 23,5% já interagiram com a página do prefeito, o maior percentual de uma lista de sete possíveis presidenciáveis. O segundo lugar é de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com 7,1%.

Ainda sobre as eleições do próximo ano, Braga ressalta que não presta serviços exclusivamente para o PSDB, afirma que a empresa tem sido "assediada por muita gente" e que está avaliando o mercado para 2018.

Fonte:BBC

https://www.bbc.com/portuguese/brasil

Acesso em 02/10/2017

Categoria(s): 
Tag(s):
, , , , , ,

#GRAinforma

Notícias relacionados

seg, 10 de setembro de 2018

Barroso proíbe PT de fazer campanha com Lula sob pena de suspender propagandas

Por Mariana Oliveira O ministro Luís Roberto Barroso, relator do pedido de registro de candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral, […]
Ler mais...
sáb, 19 de julho de 2014

TRE/BA decreta multa de 206 mil reais para Geddel (PMDB) e endurece contra a propaganda irregular

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) tomou decisão, nesta quinta-feira (17/7), que promete ser um recado aos políticos que […]
Ler mais...
qua, 21 de novembro de 2018

Lewandowski mantém aberto PAD contra desembargador acusado de corrupção

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, negou pedido do desembargador Siro Darlan, do Tribunal de Justiça do Rio de […]
Ler mais...
sex, 28 de junho de 2013

TRE-ES mantém diplomação de Prefeito e vice-prefeito de Sooretama

O Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), em sessão realizada hoje (26/6) pela manhã, decidiu, por maioria de votos, […]
Ler mais...
cross linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram